Uma relação de ódio e amor com a esteira

Manu
Mas, afinal, o amor não deveria vir antes do ódio? Fatalmente, não, em especial quando se trata da relação entre eu, a corrida e a esteira.
 
Um ano após a minha primeira corrida de rua, percebi que poderia atingir resultados muito mais significativos e surpreendentes com a ajuda de uma assessoria esportiva, mas meu negócio sempre foi o asfalto e assim continuou sendo, já que entre correr na esteira e perder o treino, eu quase sempre acabava ficando com a última opção ou, quando decidia forçar a barra, achava o máximo correr fazendo cara de brava e me achando uma queniana,  enquanto corria em frente ao espelho, mas, infelizmente, essa empolgação só durava por uns 3k que, por livre e espontânea ilusão, eu considerava o equivalente a 5k, então, a esmagadora maioria dos meus treinos se resumiam ao asfalto, ao asfalto e ao asfalto.
 
Com o tempo e, talvez, com tanto impacto e falta de diferentes estímulos, acabei me lesionando às vésperas da 21K AXION energy Buenos Aires, minha prova-alvo do ano passado. Louca por Buenos Aires que sou e certa de que precisava correr aqueles vinte e um quilômetros, fui, chorei, engoli o choro, completei a prova no meu melhor tempo, até então, e, obviamente, precisei ficar quatro meses sem correr, além disso consegui a proeza de engordar três quilos em uma semana e, por isso, entre as sessões de fisioterapia, voltei a nadar e o meu ortopedista quase virou psicólogo.
 
Com o aval do meu ortopedista, voltei a engatinhar, fiz e continuo fazendo alguns treinos na areia fofa e, então, tive a certeza de toda a importância da corrida na minha vida quando consegui completar 12k sem sofrimento em cima de uma esteira – minha principal tática foi usar a quilometragem progressiva como recorde a cada semana. Eu fiquei uma hora e dez minutos correndo na esteira, pensando na vida, ouvindo minhas músicas preferidas – algo que não faço quando corro na rua – e, principalmente, muito feliz por estar entregando um treino da melhor maneira possível do que simplesmente aceitar deixa-lo de lado. Uma coisa é certa: a todo treino na esteira eu penso o quanto a minha relação com a corrida amadureceu e o quanto a “chatice” da esteira foi importante para eu perceber isso. Talvez, se não fosse a esteira eu ainda não teria percebido que noventa porcento dos meus problemas se resolvem com endorfina. Foi com a esteira que consegui deixar de procrastinar e passei a andar de mão dada com a disciplina, afinal, o treino “não feito” passou a dar lugar para o treinoindoor
 
Por mais que eu treine muito mais na rua, tenho optado por fazer os meus treinos mais fortes – fartlek, intervalo e progressivo – na esteira e é exatamente por optar fazê-los na esteira que consigo controlar o ritmo exato – e a inclinação! -, além de, por consequência, acabar optando por um impacto menor.
 
Inclusive, minha última sexta-feira foi de treino indoor, mas quem tem uma Meia Maratona em seis semanas não liga de correr na esteira em plena noite de sexta-feira, né? A propósito, a próxima Meia Maratona do Rio será histórica, afinal, pela primeira vez, a serão mais mulheres do que homens correndo a prova!
 

 

Um beijo, 

Dani Germano





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